- Centro de Estudos Sociais
Universidade de Coimbra
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University of Coimbra, CES - Centro de estudos sociais, Faculty Member
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- MEMOIRS offers a radical vision of contemporary European history, interrogating the crucial role of its multiple colo... moreMEMOIRS offers a radical vision of contemporary European history, interrogating the crucial role of its multiple colonial heritages. These legacies are a common factor in the identities of individual nation states across the continent. Among the different European colonial models, MEMOIRS analyses the overseas model of Portugal, Belgium and France, as crucial for an understanding of the modern-day continent.
The innovative character of the project expresses itself in its fundamental research question: what is the impact on the continent today of transferred memories of the twilight of European colonialism?
MEMOIRS aims to map out a new cartography of European memory, by reconceptualising the colonial heritage as a part of European identity and not as something to be ignored. We assume that the memories of those affected by the end of Europe’s empires and of those whom colonialism othered are a constitutive part of Europe, which implies an epistemic shift in the way we view the continent’s history and a reversal of historical and narrative paradigms.
MEMOIRS intends to contribute to promoting a greater sense of collective responsibility toward the past and the present.
MEMOIRS focuses on the intergenerational memories of the children and grandchildren of those involved in and affected by the decolonization processes in France’s, Portugal’s and Belgium’s colonies in Africa – Democratic Republic of Congo (RDC), Algeria, Angola, Mozambique, Guinea-Bissau, Cape Verde and São Tomé and Príncipe. Through interviews and comparative analysis of the cultures influenced by the postmemory of colonial wars and the end of empires, we interrogate Europe's postcolonial heritage. At the heart of the project is a desire to understand the challenge of living in postcolonial Europe, a multicultural society marked by strong, although often latent, residues of apparently forgotten empires.
MEMOIRS is funded by the European Research Council (ERC) under the European Union’s Horizon 2020 research and innovation programme (no. 648624) and is hosted at the Centre for Social Studies (CES), University of Coimbra.edit
Cet article propose d'étudier la postmémoire de la souffrance ayant accompagné le trafic négrier dans deux romans, Beloved (Toni Morrison) et Humus (Fabienne Kanor). Dans la première partie, nous reviendrons sur les modes de... more
Cet article propose d'étudier la postmémoire de la souffrance ayant accompagné le trafic négrier dans deux romans, Beloved (Toni Morrison) et Humus (Fabienne Kanor). Dans la première partie, nous reviendrons sur les modes de représentation du corps de l'esclave ainsi que sur les limites de l'approche historique lorsque l'on veut rendre compte du trauma en question. Nous verrons que l'art est sans doute le mieux à même de rendre quelque chose de ce passé-là. Dans la seconde partie, le texte portera sur la représentation spécifique du corps de la femme-esclave afin de mettre en évidence la façon dont les femmes artistes articulent retour au passé et mise en scène de ce corps. Enfin, ce travail comparatiste au sein de l'Atlantique noir et féminin voudrait contribuer à l'émergence d'une histoire de l'Europe ouverte à ses altérités, consciente de la présence d'autres mémoires et postmémoires, produites souvent comme peu pertinentes ou comme inexistantes. Ce travail sur les postmémoires de l'errance noire atlantique se révèle d'au-tant plus important que les mémoires et l'histoire promues par l'État, si elles ne taisent pas le rôle joué par celui-ci dans la traite, tendent à valoriser les mémoires et postmémoires d'autres événe-ments. Mots-clefs : traite, esclavage, postmémoire, Beloved, Humus. Abtract: This essay examines how the post-memory of the suffering caused by the slave trade is depicted in two novels, Beloved (Toni Morrison) and Humus (Fabienne Kanor). In the first part, it analyses the modes of representing the body of the slave as well as the limits of the historical approach when one tries to account for the trauma. This essay argues that art is probably best suited to address that past. In the second part, the text focusses the specific portrayal of the body of the female slave in order to highlight how women artists articulate the return to the past and the representation of that body. Finally, this comparative study on the black feminine Atlantic is intended to contribute to the emergence of a history of Europe that is open to its alterities and aware of the presence of other memories and post-memories, which are often regarded as being irrelevant or inexistent. This work on post-memories of the Atlantic black wandering turns out to be most important since the memories and the history promoted by the State tend to disregard the role played by the later in the slave trade and/or to value memories and post-memories of other historical events.
Projecto Memoirs, filhos do império e pós-memórias europeias Resumo O termo lusofonia tem sido aceite e até proclamado como estratégia de entendimento entre as comunidades de Portugal e dos PALOPs como um facto inquestionável. Para que... more
Projecto Memoirs, filhos do império e pós-memórias europeias Resumo O termo lusofonia tem sido aceite e até proclamado como estratégia de entendimento entre as comunidades de Portugal e dos PALOPs como um facto inquestionável. Para que tal aconteça o termo tem sido mascarado como sendo uma emanação do português como língua oficial destes países. No entanto isto é uma falácia. A sustentar este termo está a ideia de que todas as culturas dos PALOPs se inspiram na matriz de uma cultura portuguesa essencialista associada ao luso-tropicalismo teorizado por Gilberto Freyre. Conclui-se que a lusofonia na verdade é uma forma de neo-colonialismo de Portugal ao qual não são indiferentes os vários interesses dos negócios entre as elites destes países.
"Não houve descolonização nenhuma, o que houve foi os comunistas portugueses, a entregar Moçambique aos comunistas moçambicanos, Angola aos comunistas Angolanos e o mesmo com os restantes territórios ultramarinos, tudo sob a tutela dos... more
"Não houve descolonização nenhuma, o que houve foi os comunistas portugueses, a entregar Moçambique aos comunistas moçambicanos, Angola aos comunistas Angolanos e o mesmo com os restantes territórios ultramarinos, tudo sob a tutela dos comunistas soviéticos, que afinal também tinham colónias, como depois se viu com o fim da URSS" 1 "A hora da reconhecibilidade" ("Das Jetzt der Leserbarkeit-Erkennbarkeit") 2 O nome "descolonização" diz o impensável, mas ao mesmo tempo é uma palavra da ordem do 'pensado', poderíamos observar, pondo-o em jogo com a categoria quase antropológica do impensado de Eduardo Lourenço. Esta consistência espessa, o ato de nomeação que subtrai o agir histórico do espaço do irrepresentável para encontrar a sua surpreendente, ainda que esperada, inscrição-problemática, quanto quisermos, 1 <http://nonas-nonas.blogspot.it/2008/09/ricardo-saavedra-ou-o-7-de-setembro-por.html> (5 de outubro de 2016). 2 A expressão refere-se ao índice histórico de leitura de uma obra elaborado por Benjamin com que Giorgio Agamben constrói a constelação entre as Epístolas paulinas e as Teses benjaminianas (Cfr. Agamben 2000: 135).
The article discusses the concept of postmemory, demonstrating its productivity through an analysis of the memorialization of the Colonial War in the contemporary Portuguese context. Drawing on the results of two research projects carried... more
The article discusses the concept of postmemory, demonstrating its productivity through an analysis of the memorialization of the Colonial War in the contemporary Portuguese context. Drawing on the results of two research projects carried out at the Centre for Social Studies of the University of Coimbra, different aspects of the production of postmemory by members of the second generation are presented, with particular, but not exclusive, emphasis on the domain of the arts.
Numa das paredes da sala, incidindo no grande mapa esculpido em mármore branco que representa as navegações portuguesas do século XV e XVI, um foco de luz aponta para África e deixa entrever a sombra de Salazar fazendo o seu célebre... more
Numa das paredes da sala, incidindo no grande mapa esculpido em mármore branco que representa as navegações portuguesas do século XV e XVI, um foco de luz aponta para África e deixa entrever a sombra de Salazar fazendo o seu célebre discurso de Braga, em 1936, no qual declarou a indiscutibilidade de Deus, da Pátria e da Família. Assim termina o percurso da exposição Refuser la Guerre Coloniale, organizada pela associação Mémoire Vive, e que esteve aberta ao público na Casa de Portugal da Cidade Universitária de Paris entre abril e maio passado. A exposição, concebida por Hugo dos Santos em Monumento Comemorativo 25 de Abril, Portugal da Liberdade, Fontenay-sous-Bois, França (wikimedia commons)
On the day of the inauguration ceremony of the Monument to the Overseas Veterans on the 15 January 1994, Adriano Moreira opened his speech: " Mr. President of the Republic, combatants. Perhaps during this civic ceremony intended to honour... more
On the day of the inauguration ceremony of the Monument to the Overseas Veterans on the 15 January 1994, Adriano Moreira opened his speech: " Mr. President of the Republic, combatants. Perhaps during this civic ceremony intended to honour the veterans of the Portuguese overseas war it would be appropriate to listen only to bugle players, who bring together sounds of agony and glory. "
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No dia da cerimónia de inauguração do Monumento aos Combatentes do Ultramar, a 15 de janeiro de 1994, as primeiras palavras do discurso proferido por Adriano Moreira foram: " Sr. Presidente da República, Combatentes. Talvez nesta... more
No dia da cerimónia de inauguração do Monumento aos Combatentes do Ultramar, a 15 de janeiro de 1994, as primeiras palavras do discurso proferido por Adriano Moreira foram: " Sr. Presidente da República, Combatentes. Talvez nesta cerimónia cívica destinada a honrar os combatentes da guerra do ultramar português fosse apropriado fazer ouvir apenas os clarins num dos toques que misturam os sons da agonia com os sons da glória " .
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As peças Retornos, exílios e alguns que ficaram e Filhos do Retorno do Teatro do Vestido, as obras mais recentes da companhia dirigida por Joana Craveiro, são uma oportunidade para reflectir sobre o teatro contemporâneo que em Portugal... more
As peças Retornos, exílios e alguns que ficaram e Filhos do Retorno do Teatro do Vestido, as obras mais recentes da companhia dirigida por Joana Craveiro, são uma oportunidade para reflectir sobre o teatro contemporâneo que em Portugal aborda as memórias da ditadura, da guerra colonial e os efeitos do ex-império português e para, simultaneamente, fazer uma comparação necessária com o teatro que se faz em alguns países da América Latina, que têm em comum o terem sofrido ditaduras militares entre os anos 60 e os anos 80 do século passado e uma colonização ideológica com acentuada orientação económica e repressiva a que não foi alheio o papel dos EUA em consequência da Guerra Fria.
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Amílcar Cabral: itinerários, memórias, descolonização
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AMÍLCAR CABRAL: JOURNEYS, MEMORIES,
DESCOLONIZATION
DESCOLONIZATION
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Artillery The man told me about his war. He was mobilized halfway through an leisurely course in Maths and became an officer in the artillery. He calculated targets for the mortar fire. They sent him to a barracks in the forests of... more
Artillery The man told me about his war. He was mobilized halfway through an leisurely course in Maths and became an officer in the artillery. He calculated targets for the mortar fire. They sent him to a barracks in the forests of Northern Angola. He was the most slovenly officer of the garrison: badly dressed, with his hat awry. It was said of him that he lived in another world-perhaps the abstract world of mathematics, which took up all his attention and distracted him from immediate, worldly things. In the barracks there were giant artillery pieces which fired hundreds of kilometres. They brought him the data, and, poring over the maps and armed with a ruler and a compass, he determined coordinates, speeds, and angles. He was respected because his calculations never missed. He was deep in them every morning. s/t (from series C'est pas facile) | 2016 | Mauro Pinto
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Newsletter PT and EN 15.09.2018
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The October 2018 Brazilian elections will interest analysts and researchers for a long time to come. For many reasons, Brazil appears to be a political laboratory in whose experiments we can glimpse traces of our own futures. The... more
The October 2018 Brazilian elections will interest analysts and researchers for a long time to come. For many reasons, Brazil appears to be a political laboratory in whose experiments we can glimpse traces of our own futures. The determining features of these experiments include: the unexpected weight of social media compared to the traditional media; the abuses of 'fake news'; the politicization of the judiciary; the concealment of government intentions; and the discontent and insecurity that permeates forms of citizenship of all kinds. In broad terms, Brazil's darkest past-the tragic experience I dont trust myself | 2015 | Carla Cabanas (courtesy of the artist)
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O artigo de Saidiya Hartman, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), oferece uma "história especulativa" (1) de Esther Brown, uma mulher negra que viveu em Nova York nas primeiras décadas do século XX. Hartman... more
O artigo de Saidiya Hartman, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), oferece uma "história especulativa" (1) de Esther Brown, uma mulher negra que viveu em Nova York nas primeiras décadas do século XX. Hartman procura entender a vida "selvagem e desobediente" (469) de Esther Brown: como e por que razão o Estado a encarcerou e qual o significado dos gritos coletivos em que participou na prisão. Essas "revoltas sonoras" (481) clamavam contra a violência gratuita exercida pelas guardas prisionais brancas sobre as prisioneiras. Os jornais relataram as greves em termos
O artigo de Saidiya Hartman, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), oferece uma "história especulativa" (1) de Esther Brown, uma mulher negra que viveu em Nova York nas primeiras décadas do século XX. Hartman... more
O artigo de Saidiya Hartman, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), oferece uma "história especulativa" (1) de Esther Brown, uma mulher negra que viveu em Nova York nas primeiras décadas do século XX. Hartman procura entender a vida "selvagem e desobediente" (469) de Esther Brown: como e por que razão o Estado a encarcerou e qual o significado dos gritos coletivos em que participou na prisão. Essas "revoltas sonoras" (481) clamavam contra a violência gratuita exercida pelas guardas prisionais brancas sobre as prisioneiras. Os jornais relataram as greves em termos
Saidiya Hartman's article, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), offers a "speculative history" (1) of Esther Brown, a black woman living in New York in the early decades of the twentieth century. Hartman... more
Saidiya Hartman's article, "The Anarchy of Colored Girls Assembled in a Riotous Manner" (2018), offers a "speculative history" (1) of Esther Brown, a black woman living in New York in the early decades of the twentieth century. Hartman seeks to understand Esther Brown's "wild and wayward" (469) life, how and why the state incarcerated her, and the significance of the collective noise strikes in which she participated in prison. These 'sonic revolts' (481) rejected the gratuitous violence to which the white women matrons subjected inmates. Newspapers reported the strikes in dismissive terms. The New York Times wrote: "The noise was deafening. Almost every window […] was crowded with Negro women who were shouting, angry and laughing hysterically" (481).
Publicado originalmente em 1988, o livro Os Negros em Portugal, de José Ramos Tinhorão, foi recentemente objecto de uma terceira edição pela Caminho. A obra de Tinhorão permite percorrer diferentes aspectos da presença em Portugal de uma... more
Publicado originalmente em 1988, o livro Os Negros em Portugal, de José Ramos Tinhorão, foi recentemente objecto de uma terceira edição pela Caminho. A obra de Tinhorão permite percorrer diferentes aspectos da presença em Portugal de uma significativa população negro-africa, estabelecida em resultado do tráfico de escravizados encetado partir do século XV. A historiografia portuguesa, por diferentes razões, entre as quais certamente se inclui a permanência tutelar de um pudor lusotropicalista no olhar para o passado colonial, tardou em dar o devido relevo ao tema da escravatura, o que, desde logo, confere relevo à incursão histórica de Os Negros em Portugal. Nas páginas deste livro,
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A arte da produção e sedimentação de estereótipos-operada em diferentes contextos históricos, com numerosos protagonistas e interesses em jogo, envolvendo vários expedientes e instrumentos-foi sempre muito útil à imaginação (geo)política.... more
A arte da produção e sedimentação de estereótipos-operada em diferentes contextos históricos, com numerosos protagonistas e interesses em jogo, envolvendo vários expedientes e instrumentos-foi sempre muito útil à imaginação (geo)política. Serviu, e serve, várias ideologias de serviço, com diversas justificações. Foi, e é, também particularmente proveitosa para outros sectores, por exemplo, os académicos e os artísticos, que amiúde, e sem hesitar, contribuem para as operações políticas e ideológicas, ao contrário de uma certa imagem de autonomia, crítica e distinção que projectam. Muitas vezes, aliás, e instrumental ou inadvertidamente, a denúncia da essencialização e do estereótipo revelam-se incapazes de ir para lá do seu reforço. A generalização responde à generalização, a superficialidade é mobilizada contra a superficialidade, ainda que de sentido contrário. A combinação
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O Vale dos Caídos é o monumento mais polémico da Espanha contemporânea. Francisco Franco concebeu o projeto durante a Guerra Civil (1936-1939), a fim de receber os corpos daqueles que morreram lutando ao seu lado, "por Deus e pela... more
O Vale dos Caídos é o monumento mais polémico da Espanha contemporânea. Francisco Franco concebeu o projeto durante a Guerra Civil (1936-1939), a fim de receber os corpos daqueles que morreram lutando ao seu lado, "por Deus e pela Espanha", e para comemorar seu sacrifício e martírio. O projeto começou a ser construído em 1940 e, depois de quase 20 anos de trabalho, foi inaugurado em 1 de Abril de 1959, no vigésimo aniversário da "Vitória" na guerra. É um monumento impressionante e enorme, cuja basílica foi escavada numa colina rochosa, e é coroado por uma enorme cruz de 150 metros de altura. Concebido como um panteão, há atualmente nas suas criptas subterrâneas cerca de 33.800 corpos. Vale dos Caídos | fotografo anónimo
El Valle de los Caídos es el monumento más polémico en la España contemporánea. Francisco Franco ideó el proyecto durante la propia Guerra Civil (1936-1939), con la finalidad de acoger los cuerpos de aquéllos que murieran luchando a su... more
El Valle de los Caídos es el monumento más polémico en la España contemporánea. Francisco Franco ideó el proyecto durante la propia Guerra Civil (1936-1939), con la finalidad de acoger los cuerpos de aquéllos que murieran luchando a su lado, "por Dios y por España" y para conmemorar su sacrificio y martirio. El proyecto empezó a construirse en 1940 y, tras casi 20 años de obras, fue inaugurado el 1 de abril de 1959, en el vigésimo aniversario de la "Victoria" en la guerra. Es un monumento impresionante y masivo, cuya basílica está excavada en una colina rocosa, y está coronado por una enorme cruz de 150 metros de altura. Concebido como un panteón, hay actualmente en sus criptas subterráneas en torno a 33.800 cuerpos. Valle de los Caídos | fotógrafo anónimo
A dado momento no romance Beloved (1987), de Toni Morrison, galardoado com um Pulitzer, Sethe, a protagonista diz: "Algumas coisas vão-se. Passam. Algumas coisas ficam. Eu costumava pensar que era a minha rememória. Você sabe. Algumas... more
A dado momento no romance Beloved (1987), de Toni Morrison, galardoado com um Pulitzer, Sethe, a protagonista diz: "Algumas coisas vão-se. Passam. Algumas coisas ficam. Eu costumava pensar que era a minha rememória. Você sabe. Algumas coisas esquecemos. Outras nunca se esquecem. Mas isso não. Sítios, os sítios ainda estão lá. Se uma casa arde, ela desaparece, mas o lugar-a imagem dela-permanece, e não apenas na minha rememória, mas lá fora, no mundo. O que eu recordo é uma imagem flutuando algures longe da minha cabeça" (p.43). Num artigo recente, Nadine El-Enany, professora da Faculdade de Direito de Birkbeck (Universidade de Londres), referiu-se a este romance sobre a Fantástica (da série Open House) | 2006 | José Bechara (cortesia do artista)
"O Senhor, porém, desceu, afim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o Senhor disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de... more
"O Senhor, porém, desceu, afim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o Senhor disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros». E o Senhor dispersou-os dali por toda a superfície da Terra e suspenderam a construção da cidade. «Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra. E foi também dali que o Senhor os dispersou por toda a Terra." Génesis 11,-9 Twins (da série Cinema Karl Marx) | 2017 | Mónica Miranda (cortesia da artista)
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A conexão entre arte e ativismo possibilita aos sectores estigmatizados da sociedade uma intervenção política criativa, poética e sensorial. Ao mesmo tempo em que vai alem das formas tradicionais de ativismo e desobediencia, o... more
A conexão entre arte e ativismo possibilita aos sectores estigmatizados da sociedade uma intervenção política criativa, poética e sensorial. Ao mesmo tempo em que vai alem das formas tradicionais de ativismo e desobediencia, o artivismo abala nossas representacoes do que é a arte no seu circuito, visibilidade e participação na esfera pública. Para enfrentar os problemas de circulacao da arte, sobretudo devido ao racismo de omissao, o artivismo utiliza inúmeras linguagens e recursos tais como a arte de rua, o video, a musica, a performance, a poesia, a net art e a intervencao nao apenas para representar a realidade, mas para engajar transformacoes, mobilizando e inspirando o espectador.
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Research Interests: Postmemory and Posmemoria
La costa de los murmullos
Lídia Jorge
2018, Bogota: Ediciones Uniandes
Lídia Jorge
2018, Bogota: Ediciones Uniandes
I. Os legados do império: memórias, penitências, agendas A revisitação das histórias imperiais e coloniais tem marcado tanto as agendas historiográficas como os debates públicos das sociedades europeias (e não só), ocupando um lugar... more
I. Os legados do império: memórias, penitências, agendas A revisitação das histórias imperiais e coloniais tem marcado tanto as agendas historiográficas como os debates públicos das sociedades europeias (e não só), ocupando um lugar importante nas discussões sobre identidades coletivas e imagi-nações (geo)políticas contemporâneas. 1 Vivemos numa «era das memórias» (Traverso, 2011). Inúmeras leis procuram governar e regular a memória, individual e coletiva, nacional, mas também global. 2 Vivemos ainda um período dominado por uma «política das exculpações», no qual o debate sobre as reparações, a «justiça tran-sicional» e a importância dos «passados» na interpretação dos vários «presentes» e na imaginação e prescrição de «futuros» sobressai, mobilizando numerosos inter-venientes com graus distintos de comprometimento político e ideológico e com modos distintos de interrogação ou instrumentalização histórica. 3 A omnipresença de uma «viagem perpétua rumo a um passado pessoal», que está associada a um * Este texto constitui uma versão revista e alargada de um outro publicado em Belchior, Ana Maria; Alves, Nuno de Almeida (orgs.) (2016), Dos«anosquentes»àestabilidadedemocrática.Memóriaeaçãopolítica no Portugal contemporâneo. Lisboa: Mundos Sociais, 91-112. 1 Nos Estados Unidos da América, a revisitação do passado imperial e colonial tem sido essencialmente historiográfica. Para os casos europeus, veja-se: Dard e Lefeuvre (orgs.) (2008), Tombs e Vaïsse (orgs.) (2010), Eckert (2009) e Howe (2010). Veja-se ainda o texto recente de Rothermund (2014). 2 Em França, a Lei de 23 de fevereiro de 2005, nos seus artigos 3. o e 4. o (este último retirado da lei em 2006), propunha sublinhar o papel dos «franceses repatriados» e inserir uma referência ao «papel positivo da presença francesa ultramarina, nomeadamente no Norte de África» nos programas escolares. 3 Para uma análise erudita que escapa à mera leitura política e politizada, veja-se Warner (2002; 2003; 2005). Para uma análise sobre o problema das reparações, veja-se Torpey (2006), sobretudo o capítulo v, para as «reparações pós-coloniais» na Namíbia e na África do Sul, e ainda Etemad (2008). Para um exemplo de três obras recentes sobre o problema da memória e das «transições» veja-se a recensão crítica de Naidu (2012).
ANTÓNIO SOUSA RIBEIRO O genocídio nazi, hoje correntemente designado por Holocausto, 1 constitui um acontecimento que não encontra paralelo na história da humanidade, enquanto marco supremo da história da violência num século XX... more
ANTÓNIO SOUSA RIBEIRO O genocídio nazi, hoje correntemente designado por Holocausto, 1 constitui um acontecimento que não encontra paralelo na história da humanidade, enquanto marco supremo da história da violência num século XX certeiramente definido como a «era dos extremos» (Hobsbawm, 1994). Auschwitz tornou-se, assim, sinónimo da violência absoluta, o signo da «ruptura civilizacional» diagnosticada por Dan Diner (1988; 2006), do abismo irreparável que a violência de massas nazi abriu em definitivo em toda a crença ingénua na ordem das coisas na modernidade. É bem sabido como essa ruptura teve influência decisiva no desenvolvimento de uma crítica da modernidade como a que encontrou expressão paradigmática na Dialéc-tica do Iluminismo, de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. Não obstante, a percepção de que o Holocausto não representou um simples acidente ou desvio no curso da história, antes constituiu a manifestação consumada de uma das possi-1 São conhecidas as ambiguidades associadas ao uso da palavra Holocausto para referir o genocídio nazi, um uso vulgarizado sobretudo a partir dos finais da década de setenta graças ao fortíssimo impacto da série televisiva norte-americana Holocaust. A principal dessas ambiguidades é, sem dúvida, a ligação a um conceito de sacrifício expiatório inscrito na etimologia da palavra (cf., por todos, Agamben, 1999). Não apenas, contudo, como lembra Jon Petri (2000), existem exemplos convincentes de um amplo uso secular da palavra pelo menos desde o início do século XX, mas também não é possível ignorar o facto de a designação estar, hoje em dia, inerradicavelmente inscrita no discurso corrente. O mais importante, como lembra Ruth Klüger, ela própria sobrevivente de Auschwitz, é que haja uma palavra «que possa ser usada sem mais e sem necessidade de qualificativos», uma palavra, em suma, que ofereça «um terreno de pensamento pacificado» no qual possa ter lugar um diálogo que faça sentido (Klüger, 1995: 353-54)-mesmo que não deva perder-se de vista que o extermínio dos judeus é apenas uma das faces extremas de uma violência que atingiu igualmente outros grupos, como os ciganos. A vulgarização do uso da palavra, usada em contextos muitas vezes controversos ou mesmo francamente inadequados (como, por exemplo, no título da obra de Robert N. Proctor sobre os malefícios do tabaco, The Golden Holocaust), é ela própria um índice da dimensão paradigmática assumida pelo genocídio nazi relativamente a outros processos marcados pela violência extrema (cf., por exemplo, Thornton, 1987; Davis, 2001; Preston, 2012; Arbex, 2013).
Margarida Calafate Ribeiro
As Voltas do Passado: A Guerra Colonial e as Lutas de Libertação
Miguel Cardina; Bruno Sena Martins (org.)
2018, Lisboa: Tinta da China, 332-337
As Voltas do Passado: A Guerra Colonial e as Lutas de Libertação
Miguel Cardina; Bruno Sena Martins (org.)
2018, Lisboa: Tinta da China, 332-337
Chibanis la question
Luc Jennepin
2016, Au Diable Vauvert : Vauvert
Luc Jennepin
2016, Au Diable Vauvert : Vauvert
No ano de 2003, na sequência da Guerra do Iraque, dois dos mais destacados intelectuais europeus, Jürgen Habermas e Jacques Derrida, assinaram conjunta-mente e fizeram publicar nos jornais Frankfurter Allgemeine Zeitung e Libération uma... more
No ano de 2003, na sequência da Guerra do Iraque, dois dos mais destacados intelectuais europeus, Jürgen Habermas e Jacques Derrida, assinaram conjunta-mente e fizeram publicar nos jornais Frankfurter Allgemeine Zeitung e Libération uma declaração intitulada «A nossa renovação. Depois da guerra: o renascimento da Europa». 1 O apelo teve grande ressonância e indiscutível significado. Nele se convoca a utopia de uma Europa capaz de se unir e de se refundar em torno de um programa fundamental de respeito pelo outro. Mas quem é este outro? Uma leitura atenta mostra que os autores têm em mente, antes de mais, o outro europeu. Da perspectiva de Habermas e Derrida, os muitos conflitos que marcaram e fizeram a Europa, permitindo explicar a «rica diversidade cultural» desta e levando a uma capacidade específica de lidar com a diferença, são, no essencial, conflitos intra-europeus (Habermas / Derrida, 2003: 294). Na verdade, a percepção de que uma parte fundamental da história da modernidade europeia se passou fora dos limites geográficos da Europa e, por outro lado, que a experiência colonial não transformou apenas diversas partes mais ou menos longínquas do mundo, mas revolucionou igualmente a Europa de forma radical-não sendo, por conseguinte, possível pensar o continente fora de um quadro global-, não surge nunca no texto. É apenas no breve parágrafo final que se faz referência ao facto de muitas nações europeias terem entretanto passado pela experiência da perda do império, estando, assim, em condições de «assumir uma distância reflexiva em relação a si próprias» e de assumir a responsabilidade pelo que, de modo marcadamente eufemístico, é carac-1 Numa versão um pouco diferente, o apelo viria a ser reproduzido na revista Constellations (Habermas / Derrida, 2003).
Social Inequality in the Portuguese-Speaking World - Global and Historical Perspectives
Francisco Bethencourt (ed.)
2018, Sussex: Sussex Academic Press
Francisco Bethencourt (ed.)
2018, Sussex: Sussex Academic Press
Ao estudar representações literárias do objeto Estado pós-colonial (Schurmans, 2014), deparei-me com a existência de um conjunto de bens simbólicos produzidos após as independências que remetiam as complexidades do Estado em questão para... more
Ao estudar representações literárias do objeto Estado pós-colonial (Schurmans, 2014), deparei-me com a existência de um conjunto de bens simbólicos produzidos após as independências que remetiam as complexidades do Estado em questão para o fracasso, noção redutora com certeza, mas que permeia um número consi-derável de romances, ensaios, filmes, etc. Ou seja, quando se trata de abordar a noção de Estado pós-colonial, coloca-se de imediato uma questão de ordem epis-temológica ou ainda de representação. Como Said mostrou para o Oriente e Mudimbe para a África negra, existe entre o sujeito e o seu objeto de estudo um vasto Texto sempre já presente, um conjunto de representações ideologicamente marcadas ou orientadas, a que o intelectual palestiniano chamava Orientalismo (Said, 1978) e o intelectual congolês Gnose (Mudimbe, 1988). 1 Ambos discriminaram e descreve-ram as genealogias do Orientalismo e da Gnose, o seu contexto epistemológico, as suas características discursivas e o seu conteúdo temático. Ambos se apresentam como incontornáveis para o estudo das representações do Sul enraizadas num certo Norte. O que aqui me interessa particularmente é a existência de um Texto de cariz e conteúdo colonial que tem sido escrito depois das independências e que visa 1 Não será assim tão surpreendente o facto de muitos especialistas das Áfricas abrirem os seus textos com uma reflexão relativa à representação. Philippe Hugon, por exemplo, dedica as primeiras páginas da sua Géopolitique de l'Afrique a uma análise da representação do continente. Mesmo se for difícil desfazer-se da carga ideológica que acompanha os discursos ocidentais nesta matéria, é por aqui que é preciso começar: «A geopolítica da África começa por jogos de representação e de denominação mas igualmente de concetualização» (Hugon, 2006: 7).
A presença da Guerra Colonial (1961-1974) na memória da democracia portu-guesa constituiu, durante muito tempo, algo próximo daquilo que a Michael Taussig chamou «segredo público», ou seja, «algo que é comummente conhecido, mas que não... more
A presença da Guerra Colonial (1961-1974) na memória da democracia portu-guesa constituiu, durante muito tempo, algo próximo daquilo que a Michael Taussig chamou «segredo público», ou seja, «algo que é comummente conhecido, mas que não pode ser articulado» (Taussig, 1999: 6). Embora matizado por uma crescente visibilidade em anos recentes, o lugar residual ou fantasmático a que Guerra Colonial ocupa no senso comum permanece. É exatamente esse pano de fundo que pretendo contrapor às vidas que denunciam a insustentabilidade de um tal segredo. Neste texto, procuro centrar-me no modo como a experiência dos veteranos de guerra, feridos durante o conflito armado, constitui um reduto da memória da violência colonial. Através dessa leitura, fortemente ancorada num saber incorpo-rado da permanência da guerra naqueles que a combateram, procuro contrapor esse «segredo persuasivo» forjado na memória pública às memórias e narrativas por ele subjugadas. A milhares de quilómetros das frentes de combate, quatro décadas após o fim das hostilidades, no âmbito de projetos de investigação 1 realizados numa parceria 1 Este trabalho beneficiou de Fundos FEDER através do Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) e de Fundos Nacionais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito dos projetos
Geometrias da memória: configurações pós-coloniais
António Sousa Ribeiro | Margarida Calafate Ribeiro (org.)
2016, Porto: Afrontamento
António Sousa Ribeiro | Margarida Calafate Ribeiro (org.)
2016, Porto: Afrontamento
